Estratégias Nutricionais na Demência: Da Avaliação ao Final de Vida

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A demência, uma síndrome amplamente prevalente que envolve um grupo de sinais e sintomas, apresenta desafios significativos na gestão da saúde, e a nutrição emerge como um fator importante para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Este guia abrangente mergulha nas nuances da terapia nutricional, adaptando-a para atender às complexas necessidades dos pacientes em diferentes estágios da doença.

Avaliação Nutricional na Demência:

Inicie o acompanhamento nutricional com uma anamnese alimentar detalhada, direcionando o foco para as alterações na ingestão de nutrientes e modificações do peso corporal. 

Ferramentas validadas como a Mini Avaliação Nutricional (MAN) e a Avaliação Subjetiva Global (ASG), destacam precocemente sinais cruciais de desnutrição.

A desnutrição emerge como um desafio crítico, impactando negativamente os idosos que enfrentam a demência. A progressão da doença compromete a capacidade do paciente de lidar com a alimentação. 

Hiporexia, dificuldade de mastigação e engolir, além da recusa alimentar por falta de apetite, contribuem significativamente para a deterioração do estado nutricional.

Estratégias Nutricionais:

A avaliação nutricional contínua é essencial para diagnosticar precocemente a desnutrição, permitindo ajustes à abordagem à medida que a doença evolui. 

Ferramentas como medidas antropométricas e inquérito alimentar fornecem dados essenciais para orientar a intervenção nutricional de maneira personalizada.

Embora não exista recomendações específicas em relação às calorias e distribuição de macronutrientes – que deve ser adequada individualmente, considerando outros fatores como gênero e idade, a adoção de padrões alimentares saudáveis, como a dieta mediterrânea, surge como uma estratégia promissora na redução do risco de demência. 

Com a doença já instalada e a presença da anorexia (falta de apetite), embora comida de verdade seja mais indicada, a utilização de fórmulas de suporte nutricional pode ajudar a preservar a massa muscular do paciente. 

Destaca-se a importância de cultivar um estilo de vida saudável para apoiar o bem-estar geral. Isso inclui ser fisicamente ativo, evitar o tabagismo e o excesso de bebidas alcoólicas, por exemplo. 

Em estágios avançados, a ênfase recai na priorização da alimentação habitual, evitando dispositivos para alimentação artificial, como a Nutrição Enteral. Ainda assim, a suplementação nutricional oral é uma recomendação vital para garantir a manutenção de, no mínimo, 60% das necessidades nutricionais,  oferecendo conforto e preservando a autonomia na escolha alimentar.

Na fase terminal, a abordagem nutricional deve ser sensível, priorizando a qualidade de vida e o conforto do paciente. Procedimentos invasivos de nutrição enteral ou parenteral são desaconselhados na ausência de benefícios tangíveis. Uma equipe interdisciplinar desempenha um papel essencial, fornecendo suporte e orientação aos familiares.

Ao encerrar este guia, reafirmamos o compromisso com uma abordagem nutricional que vai além do tratamento convencional. Cada página explorada visa não apenas fornecer informações, mas cultivar uma compreensão mais profunda e sensível das necessidades nutricionais em diferentes estágios da demência.

Nossa missão é facilitar o acesso dos nutricionistas ao conhecimento. Entendemos que os desafios nutricionais são complexos, e é com uma abordagem refinada e sensível que buscamos elevar o padrão de cuidado em todas as fases da doença.

A nutrição transcende a mera aplicação de princípios; torna-se uma ciência vital para preservar a qualidade de vida e o bem-estar. Cada estratégia nutricional adotada é um passo em direção à melhoria não apenas da saúde física, mas também da experiência global do paciente e de seus entes queridos.

Ao seguir as orientações deste guia, não apenas abraçamos a ciência por trás da nutrição na demência, mas também abrimos caminho para uma prática compassiva e humanizada. 

O acompanhamento nutricional não é apenas um tratamento; é um ato de cuidado integral, visando oferecer conforto, dignidade e apoio não apenas aos pacientes, mas a todos os envolvidos.

Que este guia inspire práticas nutricionais baseadas em ciência, promovendo uma compreensão mais profunda da interseção entre nutrição e demência. 

Ao enfrentar os desafios nutricionais com respeito e compaixão, estamos construindo um caminho para uma jornada mais digna e enriquecedora para aqueles que enfrentam a complexidade da demência e para aqueles que caminham ao seu lado.

Referência: Diretrizes para o Tratamento de Doenças Neurodegenerativas, BRASPEN. 

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